Resolvi
começar com um tema bem complicado e bem atual. Afinal, o dia tem 24h, no
entanto, as responsabilidades e as cobranças parecem que se guiam por um dia de
35h no mínimo... rs Como cada um de nós é um só, sempre nos frustramos, porque
não conseguimos dar conta de tudo que nos é exigido e aí o que acontece? A
gente sofre... sofre porque não sabe como resolver e sofre porque não tem
fim... tem sempre um recomeço de cobranças e responsabilidades sem fim... Igual
ao filme “Senhor dos Anéis 3”
que não consegue terminar nunca rs.
Num mundo em
que tentamos dar o nosso melhor e tentamos fazer render o dia das mais diversas
maneiras, quase que com malabarismos inacreditáveis, achamos por certo dizer
sim para todos ou pelo menos sempre dizemos sim para um determinado grupo, seja
ele a família, os amigos ou o pessoal do trabalho. E dizemos sim, porque não
vemos como dizer não, não sabemos dizer o tal do não ou não sabemos qual vai
ser a reação do não. Logo, por medo, melhor dizer sim, e, assim, a gente sofre.
Sofre, porque deixamos de fazer outras coisas tão ou mais importantes para a
gente.
O que estamos
fazendo? Estamos sofrendo para não ver o outro sofrer. Isso é o correto a
fazer? Se isso fosse algo casual, num momento de ceder que fosse necessário,
tudo bem, sem problemas. O problema é quando isso vira rotina e nos vemos
prisioneiros do sim. Ou até mesmo quando acostumamos ao outro com o “sim”,
quando que o “não” poderia trazer um crescimento para ambos os lados. Isso
mesmo, para ambos os lados, porque cresce quem consegue dizer o “não” e cresce
quem ouve o “não”. Já o “sim”, muitas vezes, é não dar limites, é não dar
autonomia. O “sim” para o outro pode ser um “não” pra gente...
Como fazer então?
Devemos refletir em alguns pontos
sobre o que nos foi pedido:
1)
Tenho tempo de fazer?
2)
Tenho condições para fazer?
3)
Se fosse eu pedindo, a pessoa faria?
4)
Se eu fizer, o que terei que deixar de lado?
5)
Será que a pessoa está pedindo para não ter que fazer
nada?
6)
A pessoa está contribuindo para que a coisa seja feita?
7)
A pessoa, como maior interessada, está facilitando para
que eu possa ajudá-la?
8)
Eu sou obrigado a fazer?
9)
O que acontecerá se eu deixar de fazer?
10) Como
a pessoa ficará se eu não fizer?
11) Ela
está pedindo apenas para mim?
12) Por que
ela (a pessoa) está pedindo para mim especialmente?
Algumas implicações em relação
aos pontos levantados acima:
1) Se tiver com tempo livre, faça. Se não custar, por que
não fazer? Mas, se estiver sem tempo, a pessoa terá que entender que não será
possível.
2)
Se estiver ao alcance, tudo bem, pode fazer. Mas se não
estiver, respeite seus limites.
3)
Se a pessoa faria, dá até para fazer um esforço pra
fazer. Caso negativo, vale mesmo o seu esforço?
4)
Se estiver tranqüilo, não terá problemas. Porém, se
outras coisas estão ficando de lado, vale pensar se essas coisas são
importantes, porque se forem deixadas de lado, talvez possa te complicar mais
na frente, inclusive com outras pessoas.
5) Muitas pessoas pedem porque são descansadas... Nesses
casos, é bom ficarmos atentos para não abusarem da gente.
6)
Tem gente que pede, mas não colabora. Poxa, se a coisa
é para a pessoa, o mínimo que ela tem que fazer é contribuir para isso!
7) Tem gente que tem como facilitar, seja levando algo
para você, te dando uma carona ou até resolvendo algo pra você em troca, para
otimizar o tempo e não faz. Se a pessoa é a mais interessada e não move nada
para isso, cabe a gente pensar se devemos mesmo nos desdobrar...
8) Há momentos em que somos obrigados. Mesmo assim ainda
há os nossos limites em jogo. Se estiverem sendo ultrapassados e isso está
sendo dolorido, a gente deve ser claro em falar. Porém, se o que está sendo
pedido é de nossa obrigação e está dentro do nosso limite, nada mais natural
que o façamos.
9) Tem horas que se não fizermos algumas coisas, outras
tantas podem acontecer: términos podem ocorrer, pessoas podem se magoar. Não é
que devemos nos importar com as coisas que vão acontecer. Devemos sim nos
preocupar com quem são essas pessoas. Por que elas não nos compreendem por não
fazermos? Elas são mesmo importantes para a gente? Dependendo da resposta,
sabemos bem como devemos resolver ou mesmo antecipar se devemos nos empenhar em fazer ou não.
10) Essa
pergunta tem a ver com a anterior. Sabendo quem é a pessoa, saberemos como nos
portar com cada situação.
11) Se
for apenas para você, outras perguntas surgem: é por que você é a pessoa mais
capaz para isso? Ela está sem tempo e não quer saber se você tem tempo ou não
para fazer, apenas pede? Ou mesmo perguntas que já apareceram aqui – ela quer
ficar descansada? É por que essa é minha obrigação? É para refletir, pois cada
uma dessas perguntas direcionará para uma determinada reação – de fazer ou não.
12) Essa
pergunta também tem a ver com acima, com a anterior que acabamos de comentar.
Às vezes nos pedem especialmente porque nunca dizemos não... Pense nisso!
Como pudemos
ver, com algumas reflexões apontadas, nem sempre devemos dizer sim, assim como
nem sempre devemos dizer não. A arte em saber dizer não requer a sabedoria do
que dizer frente à nossa possibilidade de fazer, à pessoa que está envolvida ou
mesmo às consequências que estão em jogo. Devemos respeitar nossos limites, as
não-possibilidades e também devemos exigir a compreensão de quem deveria ter
nesses casos. Nesse sentido, devemos ser um pouco egoístas, porque, senão,
vamos deixar coisas importantes de lado, pessoas importantes de lado ou vamos
atrapalhar outras coisas que são urgentes e prioritárias. No entanto, também
não devemos ser excessivamente egoístas, pois se é algo que nós somos capazes,
temos condições e apoio para fazer, principalmente se é para uma pessoa que
faria o mesmo pela gente, por que não fazer? Esse tipo de reciprocidade é legal
de ser vista.
Não existe
receita pronta, forma pronta ou situação formatada. O que existem são momentos,
pessoas envolvidas e as nossas possibilidades. Cada caso é um caso. Entretanto,
lembrar que o “não” também é uma resposta é fundamental! Aproveitando, posso te
pedir um favor? rs (Brincadeirinha!)

Esse dedinho de prosa começou com gostinho de quero mais e com o reflexo de conversas diversas e assustos que muitas vezes pude polemizar, tratar e aprender (muito) com você!
ResponderExcluirAdorei muito, apóio e divulgarei!
Beijos.
Obrigada, amiga!
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