terça-feira, 29 de setembro de 2015

Nossos queridos defeitinhos

                Dia desses recebi um informativo na rua de uma clínica odontológica que usava botox para corrigir sorriso gengival. Confesso que fiquei pensando no assunto, pois tenho o tal sorriso gengival. Quando era adolescente, isso me irritava muito. Não achava bonito e ficava sempre preocupada com as fotos para ele não aparecer. Volta e meia me questionava o porquê desse "defeito" até que um dia eu estava com uma amiga na rua e encontramos uma antiga professora do primário. Ela reconheceu minha amiga e demorou pra me reconhecer. No meio das conversas, ela disse algo engraçado e eu dei uma gargalhada. Na hora, ela se virou para mim e falou meu nome, ainda comentou "lhe reconheci pelo sorriso inconfundível".

                Cada um de nós temos as nossas peculiaridades, tanto interiormente quanto fisicamente. São essas peculiaridades que nos tornam o que somos. Elas nos singulariza nesse mundo tão diverso quanto ao tipo de olho, nariz, boca etc. Se eu fosse corrigir esse meu "defeito", provavelmente, poderia mudar profundamente uma marca minha, que me caracteriza. Então, para que mudar nossos "defeitinhos" se eles fazem parte de nós? Para me tornar algo que não sou? Cada um tem o direito de fazer o que quiser com o corpo, eu decidi conviver com ele e não mudar. Tenho medo de sentir falta do meu "defeitinho"... rsrsrs

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Equilíbrio - o caminho do meio

Sabemos bem do problema que são os extremos. Bom é quando se está no meio, ou entre, isto é, quando se está em equilíbrio. Esse é o segredo do conforto, da proteção e da saúde. O excesso nunca é bom, seja ele até o excesso de limpeza, excesso de amor, excesso de sim e por aí vai. O excesso atrapalha a formação de anticorpos, atrapalha o aprendizado, atrapalha o reconhecimento das ações de dedicação.
Há pessoas que são perfeccionistas. Querem tudo do seu jeito e com o máximo de perfeição. Elas têm preocupação com o que é bom, bonito ou certo. Essas pessoas se cobram muito, aumentam o peso da responsabilidade e se culpam se as coisas não dão certo. Esse excesso de cobrança não faz bem, porque esse peso dói tanto para a própria pessoa como para os que estão ao seu redor. Os que estão próximo acham que não conseguem agradar ou atingir às expectativas. E errar? A cobrança contra o erro é grande, não se pode errar e nem aceitar o erro do outro. Não é permitido falhar. 
A busca pela perfeição não é pecado, ela tem sua dose necessária para o bom viver, mas precisa estar associada com o reconhecimento de que errar é humano, que mesmo sem querer iremos falhar. Isso é inevitável. Podemos viver em paz com nossas consciências em sabermos que fizemos o máximo que estava ao nosso alcance e que nossas intenções foram as melhores, mas as consequências nem sempre correspondem aos nossos atos. Se permita pensar dessa maneira, é seu direito e você sabe, dentro de você, que essa é a verdade.
Se existem pessoas perfeccionistas, também existem pessoas meio que desleixadas. Elas pouco se importam com a perfeição, sabem que não estão certas, mas também não ligam para isso ou acham que não possuem responsabilidade. O acerto não é prioridade, qualquer caminho serve porque não se faz nenhum planejamento, ou seja, contam sempre com a sorte. A sorte pode ajudar bastante, mas tem horas que sem a atitude da pessoa fica difícil das coisas acontecerem.
Ser um pouco inconsequente e impulsivo também não é nenhum pecado, pelo menos se for pouco rs. Uma dose de ações assim ou não-ações também podem nos salvar de muitos problemas. Além disso, teremos a mente tranquila, porque não há um compromisso total e irrestrito com a perfeição. No entanto, um desleixo completo irá causar frustrações na gente mesmo, porque provavelmente não alcançaremos alguns sonhos, ou mesmo nas pessoas ao nosso redor, que sabem que não podem contar com a gente ou nos vêem como irresponsáveis e fracassados.
Optar pelo equilíbrio das coisas, pelo tão famoso caminho do meio, é uma ótima saída. Não existe manual para compreendermos a vida ou para sabermos viver sem erros. Não há fórmula e nem receita. Mas se quer um conselho, opte pelo equilíbrio, nem tanto ao céu e nem tanto ao mar. O meio entre as forças dos extremos tende a equilibrar nossa vida em aprendizados e satisfações. Não nos arrependeremos eternamente por nunca ter tentado e também não nos arrependeremos por ter insistido até onde foi possível.
É claro que nada é fácil, nada é simples. Achar esse equilíbrio é o maior dos desafios. Saber quando optar por um extremo ou outro num dado momento de nossas vidas é quase como um sorteio, sempre terá 50% de chances de dar certo ou errado. Saber quando dar o primeiro passo ou quando retroagir, saber quando perseverar ou deixar de lado, são coisas que parecem que transcendem a nós. Isso vai ser de cada um, de cada história vivida, de cada experiência anterior passada. Todavia, perceber que podemos nos permitir um ou outro extremo e que não precisamos vivê-los profundamente pode não ser algo tão óbvio pra muita gente, por isso que conversas como essas aqui são sempre importantes. Até mais!