Sabemos bem do
problema que são os extremos. Bom é quando se está no meio, ou entre, isto é,
quando se está em equilíbrio. Esse é o segredo do conforto, da proteção e da
saúde. O excesso nunca é bom, seja ele até o excesso de limpeza, excesso de
amor, excesso de sim e por aí vai. O excesso atrapalha a formação de
anticorpos, atrapalha o aprendizado, atrapalha o reconhecimento das ações de
dedicação.
Há pessoas que
são perfeccionistas. Querem tudo do seu jeito e com o máximo de perfeição. Elas
têm preocupação com o que é bom, bonito ou certo. Essas pessoas se cobram muito,
aumentam o peso da responsabilidade e se culpam se as coisas não dão certo. Esse
excesso de cobrança não faz bem, porque esse peso dói tanto para a própria pessoa
como para os que estão ao seu redor. Os que estão próximo acham que não
conseguem agradar ou atingir às expectativas. E errar? A cobrança contra o erro
é grande, não se pode errar e nem aceitar o erro do outro. Não é permitido
falhar.
A busca pela perfeição
não é pecado, ela tem sua dose necessária para o bom viver, mas precisa estar
associada com o reconhecimento de que errar é humano, que mesmo sem querer
iremos falhar. Isso é inevitável. Podemos viver em paz com nossas consciências
em sabermos que fizemos o máximo que estava ao nosso alcance e que nossas
intenções foram as melhores, mas as consequências nem sempre correspondem aos
nossos atos. Se permita pensar dessa maneira, é seu direito e você sabe, dentro
de você, que essa é a verdade.
Se existem
pessoas perfeccionistas, também existem pessoas meio que desleixadas. Elas
pouco se importam com a perfeição, sabem que não estão certas, mas também não
ligam para isso ou acham que não possuem responsabilidade. O acerto não é
prioridade, qualquer caminho serve porque não se faz nenhum planejamento, ou
seja, contam sempre com a sorte. A sorte pode ajudar bastante, mas tem horas
que sem a atitude da pessoa fica difícil das coisas acontecerem.
Ser um pouco
inconsequente e impulsivo também não é nenhum pecado, pelo menos se for pouco
rs. Uma dose de ações assim ou não-ações também podem nos salvar de muitos
problemas. Além disso, teremos a mente tranquila, porque não há um compromisso
total e irrestrito com a perfeição. No entanto, um desleixo completo irá causar
frustrações na gente mesmo, porque provavelmente não alcançaremos alguns sonhos,
ou mesmo nas pessoas ao nosso redor, que sabem que não podem contar com a gente
ou nos vêem como irresponsáveis e fracassados.
Optar pelo
equilíbrio das coisas, pelo tão famoso caminho do meio, é uma ótima saída. Não
existe manual para compreendermos a vida ou para sabermos viver sem erros. Não
há fórmula e nem receita. Mas se quer um conselho, opte pelo equilíbrio, nem
tanto ao céu e nem tanto ao mar. O meio entre as forças dos extremos tende a
equilibrar nossa vida em aprendizados e satisfações. Não nos arrependeremos
eternamente por nunca ter tentado e também não nos arrependeremos por ter
insistido até onde foi possível.
É claro que
nada é fácil, nada é simples. Achar esse equilíbrio é o maior dos desafios.
Saber quando optar por um extremo ou outro num dado momento de nossas vidas é
quase como um sorteio, sempre terá 50% de chances de dar certo ou errado. Saber
quando dar o primeiro passo ou quando retroagir, saber quando perseverar ou
deixar de lado, são coisas que parecem que transcendem a nós. Isso vai ser de
cada um, de cada história vivida, de cada experiência anterior passada.
Todavia, perceber que podemos nos permitir um ou outro extremo e que não
precisamos vivê-los profundamente pode não ser algo tão óbvio pra muita gente,
por isso que conversas como essas aqui são sempre importantes. Até mais!