Dedinho de prosa é uma variação da expressão “dois dedos de prosa” que geralmente quer dizer uma pausa para conversa entre amigos. O sentido é exatamente esse, fazer uma pausa no meio da correria do cotidiano para uma conversa entre amigos. Talvez aqui sirva um pouco de espaço de encontro. Lembrando que conversa entre amigos não significa monólogo, portanto, na medida do possível, comente, dialogue. Aceita um café? Posso começar?
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Respostas e perguntas - o viver
"Não busque, por enquanto, respostas que não lhe podem ser dadas, porque
não as poderia viver. Pois trata-se precisamente de viver tudo. Viva
por enquanto as perguntas. Talvez depois, aos poucos, sem que o perceba,
num dia longínquo, consiga viver as respostas". Rilke. Carta 04.
sábado, 8 de novembro de 2014
Quem espera sempre alcança?
A afirmação
dessa frase é um famoso ditado que nos ajuda a ter paciência para conquistar as
coisas. Devemos lembrar que nem tudo acontece no tempo que queremos e,
justamente, por desejarmos, a espera sempre parece ser mais longa do que é. Afinal,
queremos sempre pra já, “pra ontem”. No entanto, existem situações que dependem
de outras ou de outras pessoas ou até mesmo da sorte. Porém, não devemos
desanimar, mas, sim, persistir para que os nossos sonhos sejam atingidos.
Para os que têm
fé, às vezes é uma questão de confiar no tempo divino. Para todos nós, basta
esperarmos. Calma aí, basta apenas esperarmos mesmo? Uma das questões
envolvidas nesse ditado, por vezes mal interpretado, é da espera por si só, uma
espera que não está junto com a luta para as condições da realização do
objetivo.
Não basta
apenas esperarmos. Temos que correr atrás. Correr com muita vontade e fazer
tudo o que for possível para aumentarmos as chances de concretizarmos. Ainda não
conseguiu dessa vez? Tente de novo, mas tente se preparando, buscando o que é
necessário para conseguir da próxima vez. Aí, sim, a espera para alcançar é só
uma questão de tempo mesmo.
O que não podemos
é jogarmos na mão do divino somente ou contar com a sorte. Pode até ser que dê
certo algumas vezes. E se der, maravilha! Entretanto, se não der, devemos ter a
sabedoria de não culpar a vida ou o divino, nem se sentir o injustiçado e sem
sorte.
O que é
preciso então? Basta sonhar, lutar e também esperar. Perceberam o “também”? A
espera não pode ser sozinha, ela tem que ser acompanhada do sonho e da luta. Eu
posso até confiar em você, no seu potencial, mas, você, inicialmente, tem que
acreditar nisso e de posse dessa confiança correr atrás.
Tem coisas que
só o tempo cura, só o tempo desfaz, mas a mudança que queremos é importante que
comece primeiro dentro da gente. Com a busca e o tempo pode ser que a gente
alcance...
terça-feira, 14 de outubro de 2014
“Ser ou não ser, eis a questão” – Lidando com a aceitação
Como sabemos, o homem é um ser social, ele vive em sociedade, isto é, não consegue viver isoladamente, vide um bebê, que não consegue sobreviver sozinho. Mas a nossa vida em sociedade não é totalmente harmônica, pelo contrário, por vezes é bem conturbada rs. É assim porque entra em confronto maneiras diferentes de viver e de ver a vida. Essa diferença é natural para o nosso crescimento e para a dinamização da vida, porém, para viver de fato essa diferença, pode parecer um dilema ou mesmo gerar muito estresse e traumas.
A grande dúvida que nos ronda é “devo viver como quero viver ou devo viver de acordo com o que outro espera de mim?” Esse é o problema que circunda diversas cabeças, porque, além disso, não sabemos até que ponto é um desejo nosso viver de um jeito ou se estamos sendo manipulados para isso... Mas fora essa questão, a pergunta ainda paira sobre nós, mesmo que com certezas incertas ou temporárias... Afinal, quem está certo? Eu ou o outro? E esse “outro” pode ser muita gente: mãe/pai, filha(o), irmã(o), tia(o), amigo(a), vizinha(o), namorada(o), esposa(o), etc; como também pode ser instituições como as grandes mídias, a escola, o hospital etc. O “eu” também é muita gente, pode ser eu, você, ele, ela e até nós...
Quem detém a
razão? Quem tem a verdade? (veja este link: http://pensador.uol.com.br/frase/Njg3OTIw/)
Quem está certo de fato? Filosofia pura, né? rs Podem parecer perguntas
objetivas, mas possuem respostas bem relativas... Fica muito subjetivo
responder, variando de acordo com cada situação vivida. Entretanto, o mais
legal disso tudo é o nosso livre arbítrio e o nosso poder de escolha, embora
algumas pessoas possam se encontrar cerceadas. Mas sabe o que é “se encontrar”?
É um estado, um momento, que pode mudar, diferente de “ser”, eternizado e
imutável. E se podemos mudar, se for do nosso desejo, é sempre válido lutar
usando todas as nossas possibilidades e forças. Sei que não é fácil, você como
conhecedor da sua luta vai saber melhor do que eu do quanto é difícil, mas você
sabe que não é impossível...
“Amarrados” à
aceitação, nós podemos nos tornar escravos dos desejos dos outros. Mas você
pode dizer “não sei como cortar essa dependência. É tão difícil se sentir só”. Sim,
é muito importante ter o apoio dos outros. Assim, a gente encontra forças para
continuar e pra correr atrás das coisas. No fundo, no fundo, queremos o
reconhecimento, por isso estamos o tempo todo esperando aceitação. Sabe aquele
jeito comum de falar “vai caçar a sua turma!”? É bem por aí, do tipo vai atrás
de quem é do seu grupo, de quem vai te aceitar. Geralmente isso é dito de forma
pejorativa, mas na realidade acaba sendo uma grande verdade, pois cada um de
nós estamos procurando a nossa turma, onde seremos iguais e compreendidos. Pelo
menos, essa é a ideia, embora a gente mesmo mude muito ao longo da vida,
encontrando várias turmas, conforme as fases vivenciadas e os objetivos de cada
momento.
Livres da aceitação, nós podemos ser mais a gente mesmo. A gente encontra uma paz tamanha. Experimente para ver! Isso porque o sabor de fazer as próprias escolhas não tem preço. É claro que pode aparecer um certo vazio se não tivermos alguma aceitação. Porém o problema não está em fazer as próprias escolhas, ele pode ser que esteja revelando que você não está defendendo bem as suas ideias... rs Afinal, defendendo bem, acabamos encontrando alguém que nos apóie. Porque a gente sabe o que é o bom pra gente; a gente sabe o que sente; o que deseja; mesmo que isso também mude várias vezes rs. Entretanto, sabemos que o outro (que não são todas as pessoas) quer o nosso bem também e, da forma dele, tenta argumentar ao nosso favor. Cabe a gente refletir e pesar cada conselho e cada vontade nossa para saber o que devemos seguir. Sempre se “ligando” que no final a escolha é nossa, mesmo a de concordar com o que a outra pessoa está falando.
Livres da aceitação, nós podemos ser mais a gente mesmo. A gente encontra uma paz tamanha. Experimente para ver! Isso porque o sabor de fazer as próprias escolhas não tem preço. É claro que pode aparecer um certo vazio se não tivermos alguma aceitação. Porém o problema não está em fazer as próprias escolhas, ele pode ser que esteja revelando que você não está defendendo bem as suas ideias... rs Afinal, defendendo bem, acabamos encontrando alguém que nos apóie. Porque a gente sabe o que é o bom pra gente; a gente sabe o que sente; o que deseja; mesmo que isso também mude várias vezes rs. Entretanto, sabemos que o outro (que não são todas as pessoas) quer o nosso bem também e, da forma dele, tenta argumentar ao nosso favor. Cabe a gente refletir e pesar cada conselho e cada vontade nossa para saber o que devemos seguir. Sempre se “ligando” que no final a escolha é nossa, mesmo a de concordar com o que a outra pessoa está falando.
Como ficam as regras e valores da
sociedade?
As convenções são importantes quando estão
relacionadas com o bem estar social. Nesse sentido, devemos sim ser educados ou
não devemos desrespeitar ou matar outra pessoa. Mesmo que a pessoa esteja dando
todos os motivos para isso? Sim! rs. Brincadeiras a parte, esse tipo de
expectativa é bom atendermos para o bom convívio na sociedade. Sempre acho que
fazer o bem é sempre a melhor saída e mesmo que tudo esteja estranho e não
esteja da forma como queríamos, ainda assim temos a nossa coragem, a nossa
força e o nosso sorriso pra recomeçar e para emanar boas energias. E o bem
sempre tem apoio, sempre será aceito, sempre será o caminho certo...
Agora,
tem convenções que já são exageros. Por que estar com a unha feita e impecável?
Por que a barriguinha está virando quase um problema moral? rs Basta dessas
culpas na nossa vida! Essa aceitação a gente pode relevar e pensar duas vezes
se devemos sofrer e nos prender a isso. Não estou falando para ninguém deixar
de se cuidar não. Cada um sabe de si e o que causa desconfortos. Só não acho
legal ser fissurado nessas coisas, porque o tempo segue seu ritmo e a vida pode
estar passando pela janela, que nem aquela canção “Carolina” de Chico Buarque (http://letras.mus.br/chico-buarque/45122/).
Como
vimos, nada se esgota. Poderíamos continuar aqui por horas. Quem sabe em outro
momento voltamos a esse assunto. Ele é bem complexo e polêmico até, você não
concorda? Será que dá tempo de pedir mais uma rodada antes de irmos? Só não
vamos nos esquecer do nosso compromisso, em breve posto mais...
Como dizer não?
Resolvi
começar com um tema bem complicado e bem atual. Afinal, o dia tem 24h, no
entanto, as responsabilidades e as cobranças parecem que se guiam por um dia de
35h no mínimo... rs Como cada um de nós é um só, sempre nos frustramos, porque
não conseguimos dar conta de tudo que nos é exigido e aí o que acontece? A
gente sofre... sofre porque não sabe como resolver e sofre porque não tem
fim... tem sempre um recomeço de cobranças e responsabilidades sem fim... Igual
ao filme “Senhor dos Anéis 3”
que não consegue terminar nunca rs.
Num mundo em
que tentamos dar o nosso melhor e tentamos fazer render o dia das mais diversas
maneiras, quase que com malabarismos inacreditáveis, achamos por certo dizer
sim para todos ou pelo menos sempre dizemos sim para um determinado grupo, seja
ele a família, os amigos ou o pessoal do trabalho. E dizemos sim, porque não
vemos como dizer não, não sabemos dizer o tal do não ou não sabemos qual vai
ser a reação do não. Logo, por medo, melhor dizer sim, e, assim, a gente sofre.
Sofre, porque deixamos de fazer outras coisas tão ou mais importantes para a
gente.
O que estamos
fazendo? Estamos sofrendo para não ver o outro sofrer. Isso é o correto a
fazer? Se isso fosse algo casual, num momento de ceder que fosse necessário,
tudo bem, sem problemas. O problema é quando isso vira rotina e nos vemos
prisioneiros do sim. Ou até mesmo quando acostumamos ao outro com o “sim”,
quando que o “não” poderia trazer um crescimento para ambos os lados. Isso
mesmo, para ambos os lados, porque cresce quem consegue dizer o “não” e cresce
quem ouve o “não”. Já o “sim”, muitas vezes, é não dar limites, é não dar
autonomia. O “sim” para o outro pode ser um “não” pra gente...
Como fazer então?
Devemos refletir em alguns pontos
sobre o que nos foi pedido:
1)
Tenho tempo de fazer?
2)
Tenho condições para fazer?
3)
Se fosse eu pedindo, a pessoa faria?
4)
Se eu fizer, o que terei que deixar de lado?
5)
Será que a pessoa está pedindo para não ter que fazer
nada?
6)
A pessoa está contribuindo para que a coisa seja feita?
7)
A pessoa, como maior interessada, está facilitando para
que eu possa ajudá-la?
8)
Eu sou obrigado a fazer?
9)
O que acontecerá se eu deixar de fazer?
10) Como
a pessoa ficará se eu não fizer?
11) Ela
está pedindo apenas para mim?
12) Por que
ela (a pessoa) está pedindo para mim especialmente?
Algumas implicações em relação
aos pontos levantados acima:
1) Se tiver com tempo livre, faça. Se não custar, por que
não fazer? Mas, se estiver sem tempo, a pessoa terá que entender que não será
possível.
2)
Se estiver ao alcance, tudo bem, pode fazer. Mas se não
estiver, respeite seus limites.
3)
Se a pessoa faria, dá até para fazer um esforço pra
fazer. Caso negativo, vale mesmo o seu esforço?
4)
Se estiver tranqüilo, não terá problemas. Porém, se
outras coisas estão ficando de lado, vale pensar se essas coisas são
importantes, porque se forem deixadas de lado, talvez possa te complicar mais
na frente, inclusive com outras pessoas.
5) Muitas pessoas pedem porque são descansadas... Nesses
casos, é bom ficarmos atentos para não abusarem da gente.
6)
Tem gente que pede, mas não colabora. Poxa, se a coisa
é para a pessoa, o mínimo que ela tem que fazer é contribuir para isso!
7) Tem gente que tem como facilitar, seja levando algo
para você, te dando uma carona ou até resolvendo algo pra você em troca, para
otimizar o tempo e não faz. Se a pessoa é a mais interessada e não move nada
para isso, cabe a gente pensar se devemos mesmo nos desdobrar...
8) Há momentos em que somos obrigados. Mesmo assim ainda
há os nossos limites em jogo. Se estiverem sendo ultrapassados e isso está
sendo dolorido, a gente deve ser claro em falar. Porém, se o que está sendo
pedido é de nossa obrigação e está dentro do nosso limite, nada mais natural
que o façamos.
9) Tem horas que se não fizermos algumas coisas, outras
tantas podem acontecer: términos podem ocorrer, pessoas podem se magoar. Não é
que devemos nos importar com as coisas que vão acontecer. Devemos sim nos
preocupar com quem são essas pessoas. Por que elas não nos compreendem por não
fazermos? Elas são mesmo importantes para a gente? Dependendo da resposta,
sabemos bem como devemos resolver ou mesmo antecipar se devemos nos empenhar em fazer ou não.
10) Essa
pergunta tem a ver com a anterior. Sabendo quem é a pessoa, saberemos como nos
portar com cada situação.
11) Se
for apenas para você, outras perguntas surgem: é por que você é a pessoa mais
capaz para isso? Ela está sem tempo e não quer saber se você tem tempo ou não
para fazer, apenas pede? Ou mesmo perguntas que já apareceram aqui – ela quer
ficar descansada? É por que essa é minha obrigação? É para refletir, pois cada
uma dessas perguntas direcionará para uma determinada reação – de fazer ou não.
12) Essa
pergunta também tem a ver com acima, com a anterior que acabamos de comentar.
Às vezes nos pedem especialmente porque nunca dizemos não... Pense nisso!
Como pudemos
ver, com algumas reflexões apontadas, nem sempre devemos dizer sim, assim como
nem sempre devemos dizer não. A arte em saber dizer não requer a sabedoria do
que dizer frente à nossa possibilidade de fazer, à pessoa que está envolvida ou
mesmo às consequências que estão em jogo. Devemos respeitar nossos limites, as
não-possibilidades e também devemos exigir a compreensão de quem deveria ter
nesses casos. Nesse sentido, devemos ser um pouco egoístas, porque, senão,
vamos deixar coisas importantes de lado, pessoas importantes de lado ou vamos
atrapalhar outras coisas que são urgentes e prioritárias. No entanto, também
não devemos ser excessivamente egoístas, pois se é algo que nós somos capazes,
temos condições e apoio para fazer, principalmente se é para uma pessoa que
faria o mesmo pela gente, por que não fazer? Esse tipo de reciprocidade é legal
de ser vista.
Não existe
receita pronta, forma pronta ou situação formatada. O que existem são momentos,
pessoas envolvidas e as nossas possibilidades. Cada caso é um caso. Entretanto,
lembrar que o “não” também é uma resposta é fundamental! Aproveitando, posso te
pedir um favor? rs (Brincadeirinha!)
Dedinho de prosa
Dedinho de prosa é uma variação
da expressão “dois dedos de prosa” que geralmente quer dizer uma pausa para
conversa entre amigos. Meu sentido com esse blog é exatamente esse, isto é,
fazer uma pausa no meio das tantas atribulações e correrias do cotidiano para
uma conversa entre amigos. Algo sempre tão gostoso de fazer, tão enriquecedor,
tão vivo, mas que nem sempre conseguimos encontrar tempo para isso... Talvez
aqui sirva um pouco de espaço de encontro. Espero poder ajudar em algo. Quem sabe
você também me ajude a repensar. Lembrando que conversa entre amigos não
significa monólogo, portanto, na medida do possível, comente, dialogue. Aceita
um café?... Posso começar?... rs
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