terça-feira, 14 de outubro de 2014

Como dizer não?

     Resolvi começar com um tema bem complicado e bem atual. Afinal, o dia tem 24h, no entanto, as responsabilidades e as cobranças parecem que se guiam por um dia de 35h no mínimo... rs Como cada um de nós é um só, sempre nos frustramos, porque não conseguimos dar conta de tudo que nos é exigido e aí o que acontece? A gente sofre... sofre porque não sabe como resolver e sofre porque não tem fim... tem sempre um recomeço de cobranças e responsabilidades sem fim... Igual ao filme “Senhor dos Anéis 3” que não consegue terminar nunca rs.
Num mundo em que tentamos dar o nosso melhor e tentamos fazer render o dia das mais diversas maneiras, quase que com malabarismos inacreditáveis, achamos por certo dizer sim para todos ou pelo menos sempre dizemos sim para um determinado grupo, seja ele a família, os amigos ou o pessoal do trabalho. E dizemos sim, porque não vemos como dizer não, não sabemos dizer o tal do não ou não sabemos qual vai ser a reação do não. Logo, por medo, melhor dizer sim, e, assim, a gente sofre. Sofre, porque deixamos de fazer outras coisas tão ou mais importantes para a gente.
O que estamos fazendo? Estamos sofrendo para não ver o outro sofrer. Isso é o correto a fazer? Se isso fosse algo casual, num momento de ceder que fosse necessário, tudo bem, sem problemas. O problema é quando isso vira rotina e nos vemos prisioneiros do sim. Ou até mesmo quando acostumamos ao outro com o “sim”, quando que o “não” poderia trazer um crescimento para ambos os lados. Isso mesmo, para ambos os lados, porque cresce quem consegue dizer o “não” e cresce quem ouve o “não”. Já o “sim”, muitas vezes, é não dar limites, é não dar autonomia. O “sim” para o outro pode ser um “não” pra gente...

Como fazer então?
Devemos refletir em alguns pontos sobre o que nos foi pedido:
1)      Tenho tempo de fazer?
2)      Tenho condições para fazer?
3)      Se fosse eu pedindo, a pessoa faria?
4)      Se eu fizer, o que terei que deixar de lado?
5)      Será que a pessoa está pedindo para não ter que fazer nada?
6)      A pessoa está contribuindo para que a coisa seja feita?
7)      A pessoa, como maior interessada, está facilitando para que eu possa ajudá-la?
8)      Eu sou obrigado a fazer?
9)      O que acontecerá se eu deixar de fazer?
10)  Como a pessoa ficará se eu não fizer?
11)  Ela está pedindo apenas para mim?
12)  Por que ela (a pessoa) está pedindo para mim especialmente?

Algumas implicações em relação aos pontos levantados acima:
1)   Se tiver com tempo livre, faça. Se não custar, por que não fazer? Mas, se estiver sem tempo, a pessoa terá que entender que não será possível.
2)      Se estiver ao alcance, tudo bem, pode fazer. Mas se não estiver, respeite seus limites.
3)      Se a pessoa faria, dá até para fazer um esforço pra fazer. Caso negativo, vale mesmo o seu esforço?
4)      Se estiver tranqüilo, não terá problemas. Porém, se outras coisas estão ficando de lado, vale pensar se essas coisas são importantes, porque se forem deixadas de lado, talvez possa te complicar mais na frente, inclusive com outras pessoas.
5)    Muitas pessoas pedem porque são descansadas... Nesses casos, é bom ficarmos atentos para não abusarem da gente.
6)      Tem gente que pede, mas não colabora. Poxa, se a coisa é para a pessoa, o mínimo que ela tem que fazer é contribuir para isso!
7)  Tem gente que tem como facilitar, seja levando algo para você, te dando uma carona ou até resolvendo algo pra você em troca, para otimizar o tempo e não faz. Se a pessoa é a mais interessada e não move nada para isso, cabe a gente pensar se devemos mesmo nos desdobrar...
8)   Há momentos em que somos obrigados. Mesmo assim ainda há os nossos limites em jogo. Se estiverem sendo ultrapassados e isso está sendo dolorido, a gente deve ser claro em falar. Porém, se o que está sendo pedido é de nossa obrigação e está dentro do nosso limite, nada mais natural que o façamos.
9)   Tem horas que se não fizermos algumas coisas, outras tantas podem acontecer: términos podem ocorrer, pessoas podem se magoar. Não é que devemos nos importar com as coisas que vão acontecer. Devemos sim nos preocupar com quem são essas pessoas. Por que elas não nos compreendem por não fazermos? Elas são mesmo importantes para a gente? Dependendo da resposta, sabemos bem como devemos resolver ou mesmo antecipar se devemos nos empenhar em fazer ou não.
10) Essa pergunta tem a ver com a anterior. Sabendo quem é a pessoa, saberemos como nos portar com cada situação.
11)  Se for apenas para você, outras perguntas surgem: é por que você é a pessoa mais capaz para isso? Ela está sem tempo e não quer saber se você tem tempo ou não para fazer, apenas pede? Ou mesmo perguntas que já apareceram aqui – ela quer ficar descansada? É por que essa é minha obrigação? É para refletir, pois cada uma dessas perguntas direcionará para uma determinada reação – de fazer ou não.
12)  Essa pergunta também tem a ver com acima, com a anterior que acabamos de comentar. Às vezes nos pedem especialmente porque nunca dizemos não... Pense nisso!

Como pudemos ver, com algumas reflexões apontadas, nem sempre devemos dizer sim, assim como nem sempre devemos dizer não. A arte em saber dizer não requer a sabedoria do que dizer frente à nossa possibilidade de fazer, à pessoa que está envolvida ou mesmo às consequências que estão em jogo. Devemos respeitar nossos limites, as não-possibilidades e também devemos exigir a compreensão de quem deveria ter nesses casos. Nesse sentido, devemos ser um pouco egoístas, porque, senão, vamos deixar coisas importantes de lado, pessoas importantes de lado ou vamos atrapalhar outras coisas que são urgentes e prioritárias. No entanto, também não devemos ser excessivamente egoístas, pois se é algo que nós somos capazes, temos condições e apoio para fazer, principalmente se é para uma pessoa que faria o mesmo pela gente, por que não fazer? Esse tipo de reciprocidade é legal de ser vista.

Não existe receita pronta, forma pronta ou situação formatada. O que existem são momentos, pessoas envolvidas e as nossas possibilidades. Cada caso é um caso. Entretanto, lembrar que o “não” também é uma resposta é fundamental! Aproveitando, posso te pedir um favor? rs (Brincadeirinha!)

2 comentários:

  1. Esse dedinho de prosa começou com gostinho de quero mais e com o reflexo de conversas diversas e assustos que muitas vezes pude polemizar, tratar e aprender (muito) com você!
    Adorei muito, apóio e divulgarei!
    Beijos.

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